A Álgebra da Bandalheira

Aqui está num formato único e adequado a qualquer estudante avançado em Gestão. Tudo o que o moderno gestor necessita de saber para estar na vanguarda da Ciência de Gestão.

Começamos por estabelecer dois resultados importantes pela aplicação da Psicologia à gestão de pessoas e de iniciativas.

Proposição 1: A inexistência de gestores de projeto é um indicador saudável da maturidade de uma organização funcional.

Assumimos que o objetivo de um gestor de projeto é aplicar o financiamento do seu sponsor da forma mais eficiente.

Com sabemos, o gestor de projeto não tem qualquer responsabilidade pela criação de valor. Por esse motivo, é necessário conferir-lhe um mandato que também por esse motivo não pode ser auto-atribuído.

Devido ao objetivo inicial, esse mandato é-lhe conferido por quem patrocina a iniciativa. Ou seja, é uma figura externa que detém poder sobre os meios de produção. Por isso, é equiparável à figura parental nas relações sociais infantis.

O gestor de projeto não tem agência própria, ou a que tem é como agente delegado da figura de autoridade na relação laboral.

Mas se aceitamos que o desenvolvimento psicossocial humano é normal, então temos que aceitar que existe um estado qualitativamente superior de relações sociais relativamente às relações sociais infantis. O equivalente laboral ao luto das figuras parentais que normalmente ocorre no final da adolescência.

Logo, não podem existir gestores de projeto numa organização em que não exista pelo menos um dos dois seguintes perfis de pessoas: 1) figuras de autoridade psicológica (“papás” ou “mamãs”) e 2) os sujeitos da autoridade psicológica (“zézinhos” ou “zézinhas”). Ou seja, onde as relações de trabalho são compatíveis com o normal desenvolvimento psicossocial humano.

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Proposição 2: O trabalho organizado é incompatível com relações parentais infantis.

A disciplina é a capacidade de um indivíduo (ou uma “indivídua”) se auto-governar e é um fator interno à própria pessoa (a “disciplina” externa chama-se coação e é um conceito distinto).
Por isso, a disciplina é o único substituto das figuras parentais quando estas deixam de ter influência sobre a psique (luto freudiano das figuras parentais).
Logo, as pessoas adultas para quem existe uma figura com influência sobre a psique equiparada à parental, são necessariamente pessoas indisciplinadas (para além de obviamente serem psicologicamente doentes ou em tecniquês, “disfuncionais”).
A falta de disciplina é danosa para qualquer organização, por definição de relação de trabalho.
Logo, a existência de relações de trabalho equiparáveis às relações parentais infantis é um sinal de alarme de potenciais problemas graves que não pode ser ignorado pela gestão — mesmo, e mais ainda, se este problema afeta a própria gestão.

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A seguir demonstramos três resultados fundamentais para compreender o conceito de “caminho crítico” e desmantelar a crença camponesa que os gestores de projeto têm no mesmo.
O caminho crítico é definido como sendo a sequência de atividades de um projeto na qual nenhum atraso em qualquer atividade pode ser absorvido por outra atividde começar (proporcionalmente) mais cedo.
Quando uma atividade pode começar ou acabar num dado intervalo de tempo, em vez de num momento impreterível, a essa folga chama-se “float”.
Logo, o caminho crítico é uma sequência que começa em alguns dos primeiros deliverables a serem produzidos num projeto, que acaba em alguns dos últimos deliverables a serem produzidos no projeto, e na qual nenhuma das atividades tem float, ou seja tem float zero (medido em unidade de tempo).

Proposição 3: Um projeto não tem necessariamente um caminho crítico.

Para o provar basta definir uma sequencia de atividades que verifica a proposição, ou seja na qual ou nenhuma atividade tem float zero, ou quando é o caso isso não impacta o float do caminho sucessor mais curto de atividades definido pela precedências entre as mesmas.
Este segundo caso particular vai ficar clarificado adiante, pelo que para já basta descrever um projeto em que nenhuma das atividades tem float zero.

Dado que o início possível de atividades intermédias depende do mesmo atributo das atividades imediatamente precedentes (fixada que esteja a duração), o float neste cenário é determinado apenas pelas primeiras e pelas últimas atividades a serem executadas. Há uma exceção a isto, quando uma atividade está internamente contrangida de forma a ter float inferior ao da predecessora, mas nesse caso para efeito desta demonstração consideramos ambas as atividades como uma só.

Se as precedências são um conjunto linear de atividades, isto é, em que cada atividade depende de apenas uma outra atividade para ser iniciada, então o float é constante em qualquer atividade e igual ao destas últimas. Logo, se este for não nulo, nenhuma atividade terá float nulo e logo não há caminho crítico.

Portanto, um projeto não tem necessariamente que ter um caminho crítico.

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Proposição 4: O facto de uma atividade ter float zero não significa que exista um caminho crítico.

Para o provar basta descrever o cenário em que uma atividade tem float zero mas isso não impacta os últimos deliverables do projeto.
Isto acontece quando essa atividade com float zero é predecessora de uma atividade que tem pelo menos uma outra predecessora, e esta última pode terminar mais tarde do que a atividade com float zero.

Como é evidente, em nada afeta este float zero porque a tarefa que depende desta tem sempre o float correspondente à diferença entre a data de fim da tarefa sem float e a da tarefa predecessora adicional.

Portanto, para haver um caminho crítico não é suficiente que existam tarefas sem margem para re-schedule.

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Proposição 5: O caminho crítico só existe quando o float de uma atividade é zero e esta atividade i) ou está no único caminho de precedências até aos deliverables finais do projeto, ou ii) está num caminho de precedências que contribui sempre com o maior earliest finish quando faz o join com outros caminhos numa mesma atividade.

Aqui definimos “caminho” como uma sequência de atividades com apenas 1 predecessor, caso em que faz todo o sentido falar de float de um caminho e não apenas de uma atividade.

O caso i) é um caso particular do cenário ilustrado na proposição 1, em que as primeiras e as últimas atividades no caminho de precedências não têm float.

O caso ii) é o mais expectável que ocorra em iniciativas que não são triviais e por isso é o mais representativo. Aqui, basta saber que o float de uma atividade que tem pelos menos duas predecessoras nunca pode ser superior ao float de qualquer destas, mas aqui apenas contribuem as predecessoras com o maior earliest finish pela mesma razão que referido na demonstração anterior.

Ou seja, um caminho de precedências com float zero mas que não contribua com o maior earliest finish num join de precedências não resulta em float zero no caminho sucessor e logo não faz parte do caminho crítico do projeto.

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A seguir desmantelamos a abordagem adotada para gerir iniciativas nas últimas décadas.

Proposição 6: Não existe uma framework adequada para nada do que se faça onde quer que seja.

Assumimos que existe uma forma de trabalhar que funciona desde que se siga os seus preceitos e que é recomendável ou seja que deve ser adotada.
Logo, esta forma de trabalhar vai ser bem sucedida em qualquer contexto em que os seus preceitos sejam cumpridos.

Devido a isso, e porque é recomendável, esta forma de trabalhar terá necessariamente que ser superior a qualquer outra em aplicação no mesmo contexto.
Logo, esta forma de trabalhar tem que ser a melhor forma de trabalhar possível.
Logo, a aplicabilidade desta forma de trabalhar é independente do contexto.

Logo, ou 1) o contexto é constante e portanto as pessoas trabalham todas da mesma forma façam o que fizerem onde o fizerem, ou 2) esta forma de trabalhar nada tem que ver com a coisa que se está a fazer.

O caso 1) não existe, e pelo caso 2) esta forma de trabalhar não pode ser adequada para nada que se faça seja isso o que for.

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